11 de janeiro de 2004

LITERATURA ESCOLAR
Ao ajudar a prole no tpc de português, encalho num texto da Luisa Dacosta. Coisa misteriosa, cheia de imagens e metáforas tão obscuras que tive de apelar à licenciatura em letras para descodificar. Graça e interesse não tinha nenhuns, mas ele lá estava, no que deveria ser um momento de "prazer de leitura e descoberta". Ponho-me na pele dos miúdos, mesmo dos que têm a sorte de serem sensibilizados em casa para os livros e dá-me vontade de fugir. É espantoso o entendimento que os organizadores de livros escolares têm de "Literatura Infantil". Julgo que será qualquer coisa como "objecto obscuro, porém poético, em que a presença de nuvens, crianças ou bichos inteligentes é obrigatória". Ou seja, não percebem um boi do que é um bom livro infantil. No que não estão sozinhos. Nunca vi um país em que se alimentasse as crianças com tanto lixo poético como este. Falam das "margaridas"? Deveriam ver quantas "margaridas" não foçam no meia de ilustrações frequentemente boas...
ps: Cito o texto dessa autora, mas muitos outros o acompanham. Ou não fosse verdadeiro o ditado sobre o medo da solidão das desgraças...

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